sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Madeira é um "Jardim"



As noticias que tem vindo ao conhecimento de todos os Portugueses sobre a divida existente na ilha da Madeira, divida essa que foi ardilosamente escondida com a conivência de uma certa classe politica do continente, são um autêntico insulto a todos nós que uma vez mais vamos ter de pagar os desmandos e a incompetência desta gente. Os interesses partidários, fizeram com que pessoas com responsabilidades governativas no nosso país, fechassem os olhos e fingissem nada saber.
Agora, sabemos o que foi o descalabro das contas na ilha da Madeira, mas, mesmo assim o povo madeirense prepara-se para voltar a colocar à frente dos destinos da ilha os mesmos vigaristas e corruptos de sempre, que a troco de favores e cumplicidades dominam à vários anos o espectro politico, social e económico da região.
À frente de tudo isto temos o "demagogo mor" que, com os seus discursos inflamados, insulta todos os portugueses do continente e os madeirenses que não são seus apaniguados. Não entendo como pode este senhor manter-se no poder há tantos anos, mas, por certo esta será uma das muitas falhas do sistema dito democratico.
Na ilha, devia haver um limite máximo de mandatos como à no continente, mas parece que o estatuto das autonomias deu aso a que pequenos ditadores se perpetuarem no poder. Para agravar mais as relações continente/ilha, temos os insultos que essa personagem ridícula dirige a todos nós Portugueses, insultos esses, que mereciam do Presidente da Republica uma veemente condenação.
Se vem à televisão falar de tudo e ao mesmo tempo nada, se, se encanta com o sorriso das vacas na ilha dos Açores, deveria ter a coragem politica, e numa comunicação a todo o país e ilhas, condenar as afirmações deste pequeno ditador "demagogo", que julga que com as suas provocações nos intimida.
E quanto à questão da independência, ficam a saber que eu sou dos portugueses que voto a favor.
É que estou farto de ver o dinheiro dos meus impostos ser desbaratado por uma cambada de corruptos incompetentes, que vê no insulto fácil a justificação para as suas incompetências, e desconhece que "VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AO CÉU" 
Para si "pequeno ditador" um poema que escrevi à uns tempos:

O Calhau
Do alto de um palanque
um calhau discursava
e uma multidão ignorante
o aplaudia e aclamava. 
o calhau embalado
no seu fácil discursar
vomita ideias mirabolantes
impossíveis de se concretizar.
bate palmas a multidão
que se deixa embrulhar
e o calhau envaidecido
não consegue parar de discursar.
discursa sobre isto e aquilo
e mais o que lhe convêm
um dia o calhau vira brita
não deixará saudades a ninguém.
mas por agora ainda opina
apesar de ter o cérebro
à tripa cagueira ligado
esconjura tudo e todos
vê inimigos em todo o lado.
mas o calhau no palanque
todo viscoso, lustrado
rebola-se na sua vaidade
traz a maioria do povo controlado
não admite outra opinião
forma diferente de ser
o calhau é o todo poderoso
rebola... rebola... rebola
ninguém o pode deter.
pobre calhau sem valor
nunca serás diamante
não passas de um ditador 
com manias de ser importante.
e a malta para não te aturar
rodeou-te de água
saudades não vais deixar
de ti ninguêm terá magoa.


Henrique Mário Soares

P.S. Oxalá o povo madeirense saiba dar uma lição a esta demagogo populista, pois ao contrário do que ele apregoa os sacrificios serão para todos. Coragem é do que precisam...

    

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Parque de Campismo Monte Branco - Porto Côvo ( ver estrelas e escutar o mar)

Descobri a "Costa Alentejana" nos anos 90 mais concretamente em 1993, mas é sempre com enorme prazer que volta a esta linda região do nosso Portugal.
Desta vez montámos tenda no "Parque de Campismo Monte Branco" bem junto à pacata aldeia de Porto Côvo e por aqui ficámos uma semana.
Porto Côvo apresenta já algumas alterações ao que era inicialmente quando visitei este lugar nos anos 90. No meu modesto entender julgo que a construção está a ser exagerada e corre-se o risco de tornar este lindíssimo lugar muito parecido com Vila Nova de Milfontes. Enfim, situações que deviam ser bem ponderadas pois a lógica economicista não pode sobrepor-se à lógica ambiental.
Podemos estar a ir por um caminho em que a pressão urbanística durante os meses de verão arruíne por completo todo um encanto de paz e sossego tão caracteristico desta região de praias semi-selvagens e de areias limpas.
O "Parque de Campismo Monte Branco" é um lugar aprazível e com boas instalações. Possui todas as condições necessárias para uma boa estadia em campismo, e tanto as zonas balneares como as áreas de lazer são de boa qualidade. De negativo as muitas "tendas/casa" espalhadas por uma grande zona do parque, e  os "graffitis" escritos nas portas dos chuveiros e casas de banho das zonas balneares (alguns palavrões...), sinónimos de uma falta de civismo cada vez mais latente nestas sociedades ditas modernas...para onde vamos ?
Esta situação deve ser revista pelos responsáveis do parque pois o aspecto que dá é negativo.
Apesar de ser um parque inserido numa zona de eucalipto no geral as sombras são boas. Não sou um entusiasta de parques de campismo com este tipo de árvores mas entre acampar ao sol e acampar num parque com árvores desta espécie, prefiro a segunda hipótese.
No geral trata-se de um bom parque de campismo, que tem a seu favor o facto de estar juntinho à lindíssima Aldeia de Porto Côvo e das magnificas praias desta Costa Alentejana que está inserida no Parque Natural do SW Alentejano e Costa Vicentina .
Partam à aventura...

   

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

De Volta...




O regresso ao trabalho após as férias sempre foi complicado
Durante três semanas relaxei ao sabor do tempo. Nada de horas, nem rotinas, deixei-me levar e vivi completamente despreocupado sem escutar a TV nem noticias sobre o que ia acontecendo neste rectângulo à beira mar plantado.
O relógio, esse ditador implacável que controla os nossos dias ficou na gaveta lá de casa e livre de todos os "apetrechos" que nos ligam ao mundo dito desenvolvido/falido, parti à aventura.
Modéstia à parte Portugal é lindo e as suas gentes afáveis, a comida é excelente e de uma riqueza gastronómica sem igual, e os nossos vinhos são fantásticos. Nada que eu já não conheça, mas por muitas voltas que dê a Portugal, todos os anos acabo descobrindo novos locais cheios de encanto.
As férias servem para isso mesmo e as minhas sempre foram vividas tipo "saltimbanco" uns dias aqui, outros dias acolá e assim por diante, quase como se estivesse à procura de um qualquer paraíso perdido.
Provavelmente sofro de alguma desconstrução genética que me impede de fazer férias fixas num só lugar durante semanas. Digamos que ao fim de 3 a 4 dias já estou farto de estar "amarrado" a esse lugar e sinto uma vontade tremenda de fazer a "trouxa" e partir.
Talvez um dia descubra o tal "paraíso" perdido e tudo abandone para aí viver por troca deste local onde sobrevivo.
Um dia talvez !  

      

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Discoteca/Pub Gayfield

A "Discoteca/Pub Gayfield" ficava para os lados da Rua do Campo Alegre no Porto. Frequentei este espaço nos anos 84 e 85 do século passado e aqui me perdí de amores pela ruiva mais linda que conhecí até à data. Com decoração simples mas de bom gosto, tinha a particulariedade de ser constituida por dois pisos, sendo que no de cima funcionava a parte de Pub/Bar e no piso de baixo (cave) a pista de dança. Era um espaço agradável, com bom ambiente, e boa musica. Parei nesta discoteca bastante tempo e aqui fiz amigos e amigas que nunca mais ví, à excepção da tal ruiva linda com quem namorei e com quem ainda hoje mantenho contacto. Por tudo isto, e por todos os bons momentos que passei neste local, esta discoteca tem uma recordação especial para mim.
Para tí querida Amélia um beijo cheio de saudades.
          

terça-feira, 30 de agosto de 2011

De Coração e Raça - Sérgio Godinho



Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
metidos numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser
donos do nosso trabalhar
em vez de andar para alugar
com escritos na camisa
e o dinheiro que desliza
do salário prá despesa
compro cama vendo mesa
deito contas à pobreza

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
metidos numa caixa
e agora ou vai ou racha 
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser 
donos do nosso produzir 
em vez de ter que partir
com escritos numa mala 
e a idade que resvala
do nascimento prá morte
vou pró leste perco o norte
e o meu corpo é passaporte

Sou português de coração e raça 
meio século comido pela traça
metidos numa caixa
e agora ou vai ou racha 
e agora ou vai ou racha 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Feira dos Moços - 25 a 28 de Agosto - Largo do Souto - Custóias

Quinta Feira, 25 de Agosto:

14.30h - Abertura da Feira
15.00h - Música Popular - Grupo MS
17.00h - Cantares ao Desafio - Augusto Moreira e Maria do Carmo
20.00h - Fado à Hora de Jantar - Patrícia Fernandes e Manuel Granja
21.00h - Teatro de Rua (Kopinxas)
22.00h - A História da Feira dos Moços
              - Contra Corrente Fábrica Teatral
              - Grupos Folclóricos
              - Cantares ao Desafio

Sexta Feira, 26 de Agosto:

14.30h - Abertura da Feira
15.00h - Música Popular/Concertinas - Os Amigos do Borguinha
20.00h - Fado à Hora de Jantar - Marisa Pinto e Nelson Duarte
21.00h - Teatro de Robertos
21.30h - Música Tradicional - Banda de Gaitas de S. Tiago de Cardielos
22.30h - Música Popular - Conjunto Típico do Val

Sábado, 27 de Agosto:

14.30h - Abertura da Feira
15.00h - Música Tradicional - Grupo de Gaitas de Beiços da Rapoula
16.00h - Música Tradicional - Modas à Campaniça
17.00h - Cantares ao Desafio - Irene de Gaia e Duarte da Póvoa de Lanhoso
20.00h - Fados à Hora de Jantar - Filomena Sousa e Filomeno Silva
21.00h - Teatro de Robertos
21.30h - Música Popular - Cavaquinhos do Porto
22.30h - Música Popular - Raízes do Minho
00.30h - Fogo de Artificio

Domingo, 28 de Agosto:

10.30h - Hastear das Bandeiras - Fanfarra do Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia
11.15h - Missa Campal
14.00h - Abertura da Feira
14.30h - Desfile Etnográfico
15.00h - Festival de Folclore
17.30h - Concertinas - Grupo de Concertinas de Joaquim Nogueira
20.00h - Fado à Hora de Jantar - Sandra Cristina e Zé Carvalho (Humorista)
21.00h - Música de Baile - José Barbosa
22.00h . Música de Baile - Agrupamento Horyza

Actividades Paralelas:

25 de Agosto: Reciclagem de Materiais
26 de Agosto: Culinária (semi-frio)
27 de Agosto: Pintura de T-Shirts
28 de Agosto: Fimo


  Mais informações contactar: http://www.jf-custoias.pt/?p=contactos

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Precariedade Laboral




Manhã de trabalho bem cedo, paro na movimentada confeitaria da zona onde moro para tomar o "cimbalino" da praxe. É um hábito adquirido à muitos anos e sem o qual recuso iniciar o dia.
Enquanto saboreio o "cimbalino" escuto do outro lado do balcão a conversa entre duas funcionários:
  • Diz a mais jovem: Eu não vou ficar !
  • Pergunta a colega: Porquê ?
  • Olha, não querem que assine contrato. Não me pagam o subsidio de natal, nem subsidio de férias, e quando for de férias não recebo ordenado.
  • Responde a colega: Foi por isso que a minha prima não quis vir para cá trabalhar
  • Diz a mais jovem: Mas tu não estás nestas condições pois não ?
  • Responde a colega: Não, nós as funcionárias mais antigas ainda continuámos com os nossos direitos, "eles" (leia-se patrões) só estão a propor isso ás novas funcionarias que contratam.
A miuda encolhe os ombros, leio-lhe no olhar alguma resignação e uma incerteza no que deve fazer. A necessidade de trabalhar talvez a faça repensar a decisão, mas por certo nascerá dentro dela um sentimento de injustiça e revolta.
É isto que os defensores da liberalização do mercado de trabalho pretendem. A possibilidade de terem os trabalhadores na mão, a possibilidade de pôr e dispôr dos trabalhadores a troco de baixos salários e nenhuns direitos. A possibilidade de conseguirem ainda mais lucros, dando em troca precariedade.
Acabo o "cimbalino" açucarado, e saio porta fora com um amargo na boca...          
 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

BTTSolitário - Voltas de Domingo

No domingo passado voltei aos pedais, e na companhia de meu irmão José Manuel (cobrabtt) e do amigo Fernando Henrique, lá fomos os três dar uma volta "soft" pelas sempre aprazíveis margens do Rio Douro no Porto.
Encontrei-me com meu irmão por volta das 09.00h da manhã junto ao Edifício Transparente e daí seguimos calmamente junto à praia até à Foz. Chegados aos "pilotos", encontrámos o amigo Fernando Henrique e desafiámo-lo a vir connosco, o que aceitou de pronto.
Fomos então os três pedalando em amena cavaqueira até à Ribeira, atravessámos a Ponte Luiz I e seguimos marginal fora isto já no lado de Vila Nova de Gaia em direcção á Afurada, e depois até ao Cabedelo. Após passarmos o Cabedelo e um pouco antes da Praia de Lavadores virámos á esquerda para voltarmos novamente à marginal do Rio Douro, mas por um trilho que passa nos terrenos contíguos á antiga seca do bacalhau.
Depois, fizemos novamente o percurso no sentido inverso, marginal do Rio Douro, Afurada e Ponte Luiz I. Após passarmos a ponte, virámos á direita e seguimos pela marginal junto ao Rio Douro (lado do Porto) até ao Freixo, chegados aqui foi preparar as pernas para subir a circunvalação, o que fizemos sem dificuldades de maior.
Circunvalação acima e após passarmos o Centro Comercial Parque Nascente, o amigo Fernando Henrique virou á direita para seguir em direcção a Rio Tinto, tendo eu e meu irmão continuado no sentido do Hospital de São João. Depois foi sempre a pedalar até chegarmos aos semáforos junto ao CityGolf, aqui eu virei á direita em direcção ao Padrão da Légua.
O meu irmão seguiu circunvalação abaixo em direcção à praia de Matosinhos, depois deve ter feito novamente a marginal da Foz e daqui sempre a abrir até casa na Cidade do Porto.
Foi uma manhã de domingo passada em boa companhia e onde eu me senti bem. As dores no braço que parti na queda de bike em Março estão aos poucos a abrandar e com o passar do tempo a situação tende a melhorar, até porque:
"O tempo é remédio para todos os males"
           

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Sol Perguntou à Lua - Adriano Correia de Oliveira



O Sol perguntou à Lua
O Sol perguntou à Lua
Quando`a, quando havera amanhacer
Quando`a, quando havera amanhacer

À vista dos olhos teus
À vista dos olhos teus
Que vem, que vem o Sol cá fazer
Que vem, que vem o Sol cá fazer

E o Sol préguntou à Lua
quando havera amanhacer. 

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os Eunucos - Zeca Afonso



Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os país

Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos harens os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos pedem mais

Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpia visão dos samurais
Havia um dona a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais

Em vénias malabares à luz do dia
lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais
 

A Marosca



Enquanto a malta vai "a banhos" e goza o merecido descanso após um ano de trabalho, o governo mais o grande patronato a cobro da tão falada "Troika" quer reduzir as indemnizações pagas aos trabalhadores em caso de despedimento.
Alguns especialistas defendem que não faz sentido alterar as regras das indemnizações pois "isso não vai resolver nenhum problema"
Lembram também que "os níveis de protecção social estão a baixar consideravelmente" e por isso o trabalhador ao ser despedido com uma indemnização menor ficará ainda menos protegido no emprego.
Hoje um dos "ilustres comentadeiros" da nossa praça defendeu que com esta medida Portugal vai criar mais postos de trabalho!!! - pois segundo este "iluminado" a nossa legislação laboral demasiado protectora dos direitos dos trabalhadores impede que as empresas estrangeiras apostem em força no nosso mercado. Por outro lado segundo ele Portugal tem de nivelar as leis laborais pelos outros parceiros da UE, e aqui é que a porca torce o rabo.
Porque não começar por nivelar o nosso salário mínimo nacional pelo dos outros parceiros europeus?
Esta medida só tem uma finalidade: Facilitar os despedimentos, tornando-os mais baratos.
Mais nada !   

domingo, 24 de julho de 2011

P.N.P.Gêres (Parque Nacional Peneda Gêres) - Os fogos

O ano passado o fogo andou pelo P.N.P.Gêres, e durante vários dias semeou entre as populações locais o pânico e a destruição. Durante esse tempo todo os habitantes locais assistiram impotentes ao lavrar das chamas que tudo levaram há frente.
Apesar de todos os esforços e de todas as horas de luta contra um "inimigo" implacável, o rescaldo final foi catastrófico. Felizmente uma parte importante do P.N.P.Gêres continua intocável, mas os prejuízos resultantes dos fogos do ano passado estão há vista de todos, e a Natureza vai demorar muitos anos a repor tudo o que foi perdido.
Durante esse período em que os incêndios assolaram o P.N.P.Gêres escrevi estas linhas que agora passo a transcrever.
O meu desejo é que estas imagens de destruição não se repitam NUNCA MAIS.

Labaredas

No alto de uma montanha
Fumos elevam-se no ar
Aves, esvoaçam apavoradas
Bichos, fogem sem parar.
As árvores iluminadas
Sobressaem na escuridão
Imóveis, estão condenadas
Serão testemunhos da destruição.
Olho as imagens revoltado
Como pôde isto acontecer
O nosso Gêres foi queimado
Parte de nós acabou de morrer.
Caminho sobre chão queimado
Do verde, resta a saudade
Toda a beleza é passado
O que parecia improvável, é verdade.
E, num grito de revolta
Numa lágrima de emoção 
Um enorme silêncio há minha volta
Esmaga o meu coração.
Sobre meus pés calçados
Um manto de terra queimada
Tanta paisagem destruída
Tanta árvore calcinada.

Henrique Mário Soares

 

sábado, 23 de julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

Mata de Albergaria - P.N.P.Gêres (Parque Nacional da Peneda Gêres)

A primeira vez que visitei o P.N.P.Gêres foi no ano de 1971.
Nessa época os meus pais eram sócios da A.F.C. (Académico Futebol Clube) no Porto, e foram convidados para participar no Acampamento de Montanha que se realizou junto há Casa Abrigo do A.F.C. (Académico Futebol Clube) que existia na Mata de Albergaria, e que ainda hoje está lá, mas infelizmente em ruínas, além desta também todas as antigas casas dos guardas florestais.
Desde esse primeiro momento, (e eu era ainda criança), fiquei logo encantado com este magnifico local  que adorei, e que fez com que nascesse em mim um amor incondicional por todo o P.N.P.Gêres.
Durante mais anos passei férias neste local na companhia de meus pais e irmãos e  tive a felicidade de conhecer grande parte do P.N.P.Gêres - (Soajo, Mezio, Cabril, Lindoso, Lamas de Mouro, Castro Laboreiro, etc, etc), tudo isto numa época em que a grande maioria das estradas não tinham a qualidade que hoje apresentam , e onde os trilhos eram percorridos com recurso a "companheiros" experimentados nestas andanças do montanhismo/pedestrianismo, que conheciam todos os locais  magníficos e suas lagoas.
Nos inicios dos anos 70 o P.N.P.Gêres era visitado por um numero restrito de pessoas, e o movimento campista tinha ainda poucos praticantes, as casas dos guardas florestais estavam habitadas, e não existia a tão falada "portagem" na Mata de Albergaria.
Mas, a meu ver, e pelo que vou assistindo ao longo de todos estes anos que visito o P.N.P.Gêres se calhar esta medida é um mal necessário, pois, nas muitas vezes que fiz o trilho da Geira Romana, trilho esse que atravessa a referida mata, já encontrei todo o tipo de lixo, desde garrafas de plástico, latas de refrigerantes, pacotes de bolachas vazios, e todo o tipo de coisas deixadas na mata por mão humana.
Este local, pela sua beleza e por todo o seu valor ambiental, onde ainda vivem especies unicas de plantas e animais, e que não se encontram em mais nenhum lugar do mundo, tem que ser forçosamente preservado, não só este, mas todo o magnifico P.N.P.Gêres  e devemos todos ser cuidadosos para que não assistamos a imagens iguais ás que vimos o ano passado.
Grande parte da mata da Serra do Gêres e da Serra da Peneda foi devorada pelo fogo. Mas, proibir (taxar...) talvez por si só não chegue, pois um parque deserto está mais sujeito a acções de vandalismo. A meu ver, o mais importante é sensibilizar as pessoas para as questões da preservação deste magnifico local que é único na Europa, esse trabalho deveria ser feito através da distribuição de informação junto dos principais acessos ao P.N.P.Gêres.
Em vez disso o que vemos? Um completo abandono de grande parte do P.N.P.Gêres, e um único interesse, o de preservar a Mata de Albergaria, taxando a 1,50€ todos os carros que atravessam esta zona sensivel, com a proibição de parar durante todo o trajecto, mas, a verdade, é que não é a primiera vez que vejo neste local carros parados.
Seria bom que o dinheiro pago por todos nós fosse canalizado para a Recuperação, Manutenção e Preservação de todo o P.N.P.Gêres, mas quando vemos trocarem as tradicionais placas de informação (feitas de madeira) por placas de acrílico está tudo dito. Será que manter as placas tradicionais do P.N.P.Gêres (feitas de madeira) é mais caro  que as feitas em acrílico?!?
Eu acho que não. Estamos é uma vez mais na presença de uma manifesta falta de bom gosto, até porque, este tipo de placa (a de madeira.) é das imagens de marca do P.N.P.Gêres, e se não fosse por mais nada, só por este argumento deveria ser mantida.
Recentemente fiz com a minha esposa o trilho de Fafião até ás Cascatas de Tahiti, e chegados ao local encontramos garrafas de cerveja abandonadas além de outro tipo de lixo.
Sinto sempre uma grande revolta quando sou confrontado com isto e uma das minhas preocupações quando caminho pelo P.N.P.Gêres (entre outras...) é levar comigo um saco vazio, e ir recolhendo todo o tipo de lixo que for encontrando, para depois o trazer de volta comigo e o depositar nos locais apropriados.
Nestes meses que temos pela frente (Julho, Agosto e Setembro) o P.N.P.Gêres é sujeito a todo o tipo de actos de descuido por parte de alguns, mas o meu desejo, é que todos saibam respeitar o local maravilhoso que visitam, e que proporciona a todos nós momentos inesqueciveis de prazer.
O P.N.P.Gêres e todos nós que amamos a Natureza agradecemos.
P.S. Nas fotos acima pode-se ver parte do trilho da "Geira Romana", as ruínas das antigas casas dos Guardas-Florestais, as ruínas da Casa Abrigo do Académico e parte da zona onde os sócios e amigos companheiros acampavam e também parte do Rio Homem onde a malta campista tomava banho.
  

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Crise Portuguesa




Esta reflexão foi escrita por um estrangeiro, mais concretamente por "Jaques Amaury" e chegou-me há caixa de correio através da gentileza de um amigo de infância.
É por demais caricato que tenha de ser "um estrangeiro" a colocar o "dedo na ferida" e a apontar os defeitos de uma sociedade e da grande maioria da sua comunicação social que vendida a "lobbys" e subjugada ao poder e interesses de uma minoria que tudo controla e tudo vígia, tende a ser cada vez mais afunilada, e que é incapaz de ser plural como devia ser.
As TVs, Rádios e Jormais deste país são na sua maioria controladas por grupos económicos e pelo grande capital, que para se perpetuar no poder e para manter os "tachos" e o "bon vivant" de uma minoria tudo faz.
A informação é controlada e o mais importante é "intoxicar" a população com noticias irrelevantes e  sem conteudo jornalistico, pois jornalista que ouse afrontar o sistema instituido tem por certo guia de marcha para o desemprego.
Não é por acaso que nos noticiários em horário nobre e em todas as formas de informação (escrita) "falam" sempre os mesmos, e que para se escutar vozes dissonantes tenha que se procurar outos canais de informação não afecto aos "lobbys" instalados.
Afinal a cassete que era de uns, passou para outros, que, temerosos de perder as suas mordomias, "vomitam" ideias repetitivas e negam a realidade que está há vista de todos aqueles Portugueses que sendo esclarecidos conseguem não se deixar "intoxicar" por este gentalha que deve às conquista de Abril o acto de poder opinar.
Por tudo isto tomo a liberdade de transcrever este texto, que acho deveria ter sido divulgado para esclarecimento de todos nós.

"Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá de resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais.
Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem-se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE (Comunidade Europeia)  para o esforço de adesão e adaptação às exigências da União.
Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou a esmo actividades promordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.
Os dinheiros foram encaminhados para auto estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições publico-privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxilios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração publica, o tácito desinteresse da justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre.
A politica Lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário. Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores, assessoradas por sindicatos agueridos, de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas, tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso nos problemas do país.
Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica, entre PS (Partido Socialista) que esteve no governo e o PSD (Partido Social Democrata) de direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo lider, que tem um suporte estratégico no PR (Presidente da Républica) e no tecido empresarial abastado.
Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma ctividade assinalável, mas com telhados de vidro e linguagem publica, diametralmente oposta ao que os seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade.
À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações do governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio.
Mais à esquerda, o PC (Partido Comunista) vilipendiado pela comunicação social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais.
Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democracia pré-fabricada não encontra novos instrumentos. Contudo na génese deste beco sem saída, está a impreparação, ou melhor, a ignorãncia de uma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos orgãos de comunicação. Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à industria e comércio, à banca e com infiltrações accionistas de vários países.
Ora, é bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda. Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres.
A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e TV oficiais, está dominada por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos sociais-democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são condicionados pelos problemas já descrito e ainda pelos contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória.
Não há um unico meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, "non gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e á realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfono que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação de Liberdade e da prática da apregoada democracia.
Só uma comunicação não vendida e não alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca, o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os seus desígnios"

Jaques Amaury
Sociólogo e Filosofo Francês
Professor na Universidade de Estrasburgo