sexta-feira, 25 de abril de 2014
25 de Abril Sempre, (1974-2014) - 40 Anos
Harmonia singular:
o vermelho - de uma flor
e o verde - de uma farda
Por momentos achaste
que a quase inocência
de um pintor desconhecido
conquistara a cidade
entregue de repente
à pintura
de um quadro nunca visto
in "Uma Pequena Luz Vermelha - João Pedro Mésseder
25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca Mais !
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Dia Mundial do LIvro
No dia Mundial do Livro, não devemos deixar que apaguem a história.
25 de Abril SEMPRE, Fascismo, Nunca Mais !
25 de Abril SEMPRE, Fascismo, Nunca Mais !
terça-feira, 22 de abril de 2014
BENFICA, Campeão Nacional Futebol, época 2013-2014
O meu BENFICA é campeão nacional de futebol 2013-2014
Viva o Sport Lisboa e Benfica.
sábado, 19 de abril de 2014
(50) - Meio Século
Não quero ninguém a prender-me os braços, as pernas, a formatar-me a cabeça,
a rotina é uma prisão que leva ao cansaço e à saturação,
o purgatório é quando não somos felizes,
e por norma só explodimos depois do copo cheio.
Andámos para cá e para lá a amontoar coisas,
e no final partimos só com a roupa do corpo,
e nem reparámos nas árvores, ou nas flores,
nem nunca cheirámos os aromas que a Natureza nos ofereceu.
Apenas existimos para espezinhar todas as outras espécies,
numa ânsia desenfreada em conseguir a felicidade,
através das coisas e de bens materiais.
Para muita gente o purgatório é quando não tem dinheiro,
e o cifrão é a cruz da civilização.
O meu cansaço é igual ao meu tamanho em dobro,
e a força que tive já não a tenho,
e questiono-me para onde devo de ir
...e de onde venho.
Sei que nasci algures em Novembro,
mas, muitas coisas sobre a minha infância já não me lembro.
Esta árvore aqui ao pé onde estou sentado serve-me de abrigo,
e tantas são as vezes que quero estar a sós comigo,
e sair à rua para andar em contramão.
As pessoas, quase todas elas, cansam-me cada vez mais,
e muitas, são as saudades que tenho dos meus pais.
A solidão não me assusta e nunca me assustou,
e a morte, já uma vez me visitou,
eu consegui fugir dos braços dela e nadar,
e, quando novamente vier, que seja rápida a me levar.
As saudades, são feridas que nunca saram,
e o unguento para as saudades é fazer novas Amizades.
A noite é a parte mais linda do dia,
e a felicidade eterna é utopia.
O céu e o inferno estão lado a lado,
e eu todos os dias caminho com um Deus e o Diabo.
A minha vida esvai-se com o passar dos anos,
eu fui sempre contra o conceito, "uns servos, outros amos".
A exploração é o cancro da civilização,
e aguenta coração..., aguenta coração.
Um dia todo o meu tempo será passado junto ao mar,
onde me sinto bem e gosto de estar
e quero para sempre em suas águas descansar !
Henrique Mário Soares
08-11-2013
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Recordar ABRIL, 40 anos depois - Casa da Musica - Porto 13-04-2014
Contagem decrescente para um espectáculo que vai ser de união entre músicos e publico
Fica um registo que por certo será cantado em união na Casa da Música no Porto.
25 de ABRIL SEMPRE, FASCISMO, NUNCA MAIS !
terça-feira, 8 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Grafite é ARTE !
Este mural foi pintado nas traseiras da UNICER, mesmo em frente ás antigas instalações da Leonesa e merece ser visitado. Um trabalho excelente feito por profissionais que com a sua criatividade deram vida nova a uma parede suja e feia.
Se duvidas existem nas cabeças de algumas pessoas, aqui fica a prova que quando bem feito o GRAFITE É ARTE.
terça-feira, 25 de março de 2014
Ode à Poesia - Miguel Torga
Vou de comboio...
Vou
Mecanizado e duro como sou
Neste dia;
— E mesmo assim tu vens, tu me visitas!
Tu ranges nestes ferros e palpitas
Dentro de mim, Poesia!
Vão homens a meu lado distraídos
Da sua condição de almas penadas;
Vão outros à janela, diluídos
Nas paisagens passadas...
E porque hei-de ter eu nos meus sentidos
As tuas formas brancas e aladas?
Os campos, imprecisos, nos meus olhos,
Vão de braços abertos às montanhas;
O mar protesta contra não sei quê;
E eu, movido por ti, por tuas manhas,
A sonhar um painel que se não vê!
Porque me tocas? Porque me destinas
Este cilício vivo de cantar?
Porque hei-de eu padecer e ter matinas
Sem sequer acordar?
Porque há-de a tua voz chamar a estrela
Onde descansa e dorme a minha lira?
Que razão te dei eu
Para que a um gesto teu
A harmonia me fira?
Poeta sou e a ti me escravizei,
Incapaz de fugir ao meu destino.
Mas, se todo me dei,
Porque não há-de haver na tua lei
O lugar do menino
Que a fazer versos e a crescer fiquei?
Tanto me apetecia agora ser
Alguém que não cantasse nem sentisse!
Alguém que visse padecer,
E não visse...
Alguém que fosse pelo dia fora
Neutro como um rapaz
Que come e bebe a cada hora
Sem saber o que faz...
Alguém que não tivesse sentimentos,
Pressentimentos,
E coisas de escrever e de exprimir...
Alguém que se deitasse
No banco mais comprido que vagasse,
E pudesse dormir...
Mas eu sei que não posso.
Sei que sou todo vosso,
Ritmos, imagens, emoções!
Sei que serve quem ama,
E que eu jurei amor à minha dama,
À mágica senhora das paixões.
Musa bela, terrível e sagrada,
Imaculada Deusa do condão:
Aqui vou de longada;
Mas aqui estou, e aqui serás louvada,
Se aqui mesmo me obriga a tua mão!
Vou
Mecanizado e duro como sou
Neste dia;
— E mesmo assim tu vens, tu me visitas!
Tu ranges nestes ferros e palpitas
Dentro de mim, Poesia!
Vão homens a meu lado distraídos
Da sua condição de almas penadas;
Vão outros à janela, diluídos
Nas paisagens passadas...
E porque hei-de ter eu nos meus sentidos
As tuas formas brancas e aladas?
Os campos, imprecisos, nos meus olhos,
Vão de braços abertos às montanhas;
O mar protesta contra não sei quê;
E eu, movido por ti, por tuas manhas,
A sonhar um painel que se não vê!
Porque me tocas? Porque me destinas
Este cilício vivo de cantar?
Porque hei-de eu padecer e ter matinas
Sem sequer acordar?
Porque há-de a tua voz chamar a estrela
Onde descansa e dorme a minha lira?
Que razão te dei eu
Para que a um gesto teu
A harmonia me fira?
Poeta sou e a ti me escravizei,
Incapaz de fugir ao meu destino.
Mas, se todo me dei,
Porque não há-de haver na tua lei
O lugar do menino
Que a fazer versos e a crescer fiquei?
Tanto me apetecia agora ser
Alguém que não cantasse nem sentisse!
Alguém que visse padecer,
E não visse...
Alguém que fosse pelo dia fora
Neutro como um rapaz
Que come e bebe a cada hora
Sem saber o que faz...
Alguém que não tivesse sentimentos,
Pressentimentos,
E coisas de escrever e de exprimir...
Alguém que se deitasse
No banco mais comprido que vagasse,
E pudesse dormir...
Mas eu sei que não posso.
Sei que sou todo vosso,
Ritmos, imagens, emoções!
Sei que serve quem ama,
E que eu jurei amor à minha dama,
À mágica senhora das paixões.
Musa bela, terrível e sagrada,
Imaculada Deusa do condão:
Aqui vou de longada;
Mas aqui estou, e aqui serás louvada,
Se aqui mesmo me obriga a tua mão!
Miguel Torga (in "Odes", Coimbra: Coimbra Editora, 1946; "Poesia Completa", Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2000, 2007)
sexta-feira, 21 de março de 2014
Dia Mundial da Poesia
Neste dia que celebro com todo o entusiasmo deixo aqui o meu contributo.
Poesia
É
Luz,
Candeia
De
Palavras
,
Encantos
,
Ternuras
e
também...
mágoas
Henrique Mário Soares
21-03-2011
Poesia
É
Luz,
Candeia
De
Palavras
,
Encantos
,
Ternuras
e
também...
mágoas
Henrique Mário Soares
21-03-2011
terça-feira, 18 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
Os Bonzinhos e os Malvados - ARY DOS SANTOS
Dum lado os bonzinhos
com o seu ar sisudo
andando aos passinhos
dentro do veludo.
com o seu ar sisudo
andando aos passinhos
dentro do veludo.
Do outro os malvados
cabelos ao vento
de fatos coçados
por bom e mau tempo.
cabelos ao vento
de fatos coçados
por bom e mau tempo.
Dum lado os bonzinhos
gordinhos, gulosos
comendo pratinhos
muito apetitosos.
gordinhos, gulosos
comendo pratinhos
muito apetitosos.
Do outro os malvados
a ferrar o dente
em grandes bocados
de chouriço ardente.
a ferrar o dente
em grandes bocados
de chouriço ardente.
Dum lado os bonzinhos
com muito cuidado
a dar beijinhos
com dia aprazado.
com muito cuidado
a dar beijinhos
com dia aprazado.
Do outro os malvados
a fazer amor
sem dias marcados
com frio ou calor.
a fazer amor
sem dias marcados
com frio ou calor.
Dum lado os bonzinhos
muito estudiosos
dizendo versinhos
em salões ranhosos.
muito estudiosos
dizendo versinhos
em salões ranhosos.
Do outro os malvados
gritando na rua
que os braços estão dados
que a esperança está nua.
gritando na rua
que os braços estão dados
que a esperança está nua.
Dum lado os bonzinhos
metidos na cama
tomando chazinhos
molhando o pijama.
metidos na cama
tomando chazinhos
molhando o pijama.
Do outro os malvados
os que dormem nus
sonhando acordados
com feixes de luz.
os que dormem nus
sonhando acordados
com feixes de luz.
Dum lado os bonzinhos
batendo nos tectos
sempre que os vizinhos
são mais incorrectos.
batendo nos tectos
sempre que os vizinhos
são mais incorrectos.
Do outro os malvados
que fazem barulho
despreocupados
ao som do vasculho.
que fazem barulho
despreocupados
ao som do vasculho.
Teremos por certo
os gostos trocados
detesto os bonzinhos
adoro os malvados.
os gostos trocados
detesto os bonzinhos
adoro os malvados.
Ary dos Santos.
p.s. detesto os bonzinhos, adoro os malvados.
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