segunda-feira, 31 de março de 2014
Grafite é ARTE !
Este mural foi pintado nas traseiras da UNICER, mesmo em frente ás antigas instalações da Leonesa e merece ser visitado. Um trabalho excelente feito por profissionais que com a sua criatividade deram vida nova a uma parede suja e feia.
Se duvidas existem nas cabeças de algumas pessoas, aqui fica a prova que quando bem feito o GRAFITE É ARTE.
terça-feira, 25 de março de 2014
Ode à Poesia - Miguel Torga
Vou de comboio...
Vou
Mecanizado e duro como sou
Neste dia;
— E mesmo assim tu vens, tu me visitas!
Tu ranges nestes ferros e palpitas
Dentro de mim, Poesia!
Vão homens a meu lado distraídos
Da sua condição de almas penadas;
Vão outros à janela, diluídos
Nas paisagens passadas...
E porque hei-de ter eu nos meus sentidos
As tuas formas brancas e aladas?
Os campos, imprecisos, nos meus olhos,
Vão de braços abertos às montanhas;
O mar protesta contra não sei quê;
E eu, movido por ti, por tuas manhas,
A sonhar um painel que se não vê!
Porque me tocas? Porque me destinas
Este cilício vivo de cantar?
Porque hei-de eu padecer e ter matinas
Sem sequer acordar?
Porque há-de a tua voz chamar a estrela
Onde descansa e dorme a minha lira?
Que razão te dei eu
Para que a um gesto teu
A harmonia me fira?
Poeta sou e a ti me escravizei,
Incapaz de fugir ao meu destino.
Mas, se todo me dei,
Porque não há-de haver na tua lei
O lugar do menino
Que a fazer versos e a crescer fiquei?
Tanto me apetecia agora ser
Alguém que não cantasse nem sentisse!
Alguém que visse padecer,
E não visse...
Alguém que fosse pelo dia fora
Neutro como um rapaz
Que come e bebe a cada hora
Sem saber o que faz...
Alguém que não tivesse sentimentos,
Pressentimentos,
E coisas de escrever e de exprimir...
Alguém que se deitasse
No banco mais comprido que vagasse,
E pudesse dormir...
Mas eu sei que não posso.
Sei que sou todo vosso,
Ritmos, imagens, emoções!
Sei que serve quem ama,
E que eu jurei amor à minha dama,
À mágica senhora das paixões.
Musa bela, terrível e sagrada,
Imaculada Deusa do condão:
Aqui vou de longada;
Mas aqui estou, e aqui serás louvada,
Se aqui mesmo me obriga a tua mão!
Vou
Mecanizado e duro como sou
Neste dia;
— E mesmo assim tu vens, tu me visitas!
Tu ranges nestes ferros e palpitas
Dentro de mim, Poesia!
Vão homens a meu lado distraídos
Da sua condição de almas penadas;
Vão outros à janela, diluídos
Nas paisagens passadas...
E porque hei-de ter eu nos meus sentidos
As tuas formas brancas e aladas?
Os campos, imprecisos, nos meus olhos,
Vão de braços abertos às montanhas;
O mar protesta contra não sei quê;
E eu, movido por ti, por tuas manhas,
A sonhar um painel que se não vê!
Porque me tocas? Porque me destinas
Este cilício vivo de cantar?
Porque hei-de eu padecer e ter matinas
Sem sequer acordar?
Porque há-de a tua voz chamar a estrela
Onde descansa e dorme a minha lira?
Que razão te dei eu
Para que a um gesto teu
A harmonia me fira?
Poeta sou e a ti me escravizei,
Incapaz de fugir ao meu destino.
Mas, se todo me dei,
Porque não há-de haver na tua lei
O lugar do menino
Que a fazer versos e a crescer fiquei?
Tanto me apetecia agora ser
Alguém que não cantasse nem sentisse!
Alguém que visse padecer,
E não visse...
Alguém que fosse pelo dia fora
Neutro como um rapaz
Que come e bebe a cada hora
Sem saber o que faz...
Alguém que não tivesse sentimentos,
Pressentimentos,
E coisas de escrever e de exprimir...
Alguém que se deitasse
No banco mais comprido que vagasse,
E pudesse dormir...
Mas eu sei que não posso.
Sei que sou todo vosso,
Ritmos, imagens, emoções!
Sei que serve quem ama,
E que eu jurei amor à minha dama,
À mágica senhora das paixões.
Musa bela, terrível e sagrada,
Imaculada Deusa do condão:
Aqui vou de longada;
Mas aqui estou, e aqui serás louvada,
Se aqui mesmo me obriga a tua mão!
Miguel Torga (in "Odes", Coimbra: Coimbra Editora, 1946; "Poesia Completa", Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2000, 2007)
sexta-feira, 21 de março de 2014
Dia Mundial da Poesia
Neste dia que celebro com todo o entusiasmo deixo aqui o meu contributo.
Poesia
É
Luz,
Candeia
De
Palavras
,
Encantos
,
Ternuras
e
também...
mágoas
Henrique Mário Soares
21-03-2011
Poesia
É
Luz,
Candeia
De
Palavras
,
Encantos
,
Ternuras
e
também...
mágoas
Henrique Mário Soares
21-03-2011
terça-feira, 18 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
Os Bonzinhos e os Malvados - ARY DOS SANTOS
Dum lado os bonzinhos
com o seu ar sisudo
andando aos passinhos
dentro do veludo.
com o seu ar sisudo
andando aos passinhos
dentro do veludo.
Do outro os malvados
cabelos ao vento
de fatos coçados
por bom e mau tempo.
cabelos ao vento
de fatos coçados
por bom e mau tempo.
Dum lado os bonzinhos
gordinhos, gulosos
comendo pratinhos
muito apetitosos.
gordinhos, gulosos
comendo pratinhos
muito apetitosos.
Do outro os malvados
a ferrar o dente
em grandes bocados
de chouriço ardente.
a ferrar o dente
em grandes bocados
de chouriço ardente.
Dum lado os bonzinhos
com muito cuidado
a dar beijinhos
com dia aprazado.
com muito cuidado
a dar beijinhos
com dia aprazado.
Do outro os malvados
a fazer amor
sem dias marcados
com frio ou calor.
a fazer amor
sem dias marcados
com frio ou calor.
Dum lado os bonzinhos
muito estudiosos
dizendo versinhos
em salões ranhosos.
muito estudiosos
dizendo versinhos
em salões ranhosos.
Do outro os malvados
gritando na rua
que os braços estão dados
que a esperança está nua.
gritando na rua
que os braços estão dados
que a esperança está nua.
Dum lado os bonzinhos
metidos na cama
tomando chazinhos
molhando o pijama.
metidos na cama
tomando chazinhos
molhando o pijama.
Do outro os malvados
os que dormem nus
sonhando acordados
com feixes de luz.
os que dormem nus
sonhando acordados
com feixes de luz.
Dum lado os bonzinhos
batendo nos tectos
sempre que os vizinhos
são mais incorrectos.
batendo nos tectos
sempre que os vizinhos
são mais incorrectos.
Do outro os malvados
que fazem barulho
despreocupados
ao som do vasculho.
que fazem barulho
despreocupados
ao som do vasculho.
Teremos por certo
os gostos trocados
detesto os bonzinhos
adoro os malvados.
os gostos trocados
detesto os bonzinhos
adoro os malvados.
Ary dos Santos.
p.s. detesto os bonzinhos, adoro os malvados.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Entre dos Aguas - Paco de Lucia - 1947 - 2014
Ainda nem dois meses passaram neste ano de 2014 e as tristezas já são muitas.
E o céu ganhou mais uma estrela...
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
BTT-Solitário - a pedalar com companhia
No domingo passado aproveitei uma melhoria no tempo para dar uma volta de bike.
Passava pouco das 08.30h da manhã e já o meu irmão esperava por mim junto ao "edifício transparente". Daqui seguimos em ritmo de passeio em direcção a Leça da Palmeira, e assim continuámos sempre junto à costa até à praia de Mindelo. Chegados aqui, achei por bem fazer "meia-volta, volver", pois dois meses de inactividade física a isso obrigam. Calmamente lá chegarei outra vez à minha forma física, assim o tempo o permita.
A dureza deste inverno que tem deixado muita boa gente com uma "neura dos diabos" (incluindo eu...) é bem visível por toda a costa. As rezas, preces e mezinhas por dias e dias de sol serão mais que muitas, multiplicadas à escala nacional por cada um dos Portugueses. É que, ou é de mim, ou tenho a sensação que os Portugueses estão fartinhos da chuva até à medula.
Venha de lá então rapidamente o "Astro Rei" por todos desejado para nos aquecer o corpo e encher a alma de alegria e felicidade.
E então, pedalarei como um louco na cola da tua roda...
Bicicleta, veiculo movido a paixão...
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Ecce Homo - ARY DOS SANTOS
Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.
Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.
Pois deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,
Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
A flor e o espinho - PAULINHO MOSKA
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha magoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'agua
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Que eu quero passar com a minha dor
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Leituras
Frio, chuva, e...livros.
Muito gosto de sentir o cheiro das folhas, ler a dança das palavras, e ouvir a chuva lá fora.
LER, é saber mais...
Muito gosto de sentir o cheiro das folhas, ler a dança das palavras, e ouvir a chuva lá fora.
LER, é saber mais...
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